
Hoje, apesar de a escola estar funcionando, não houve aula. Ao menos não para um certo grupo de alunos. Eu estava nesse grupo.
Houve um protesto. Os alunos organizaram, se uniram e conseguiram fazer quase tudo como planejavam. Estavamos todos diante do portão da escola. O sinal bateu, mas ninguém entrou. A coordenadora foi chamar. Pouquíssimos entraram. O diretor foi chamar. Quase ninguém entrava. O diretor disse que ia fechar o portão, e que quem ficasse do lado de fora não entraria e levaria falta. Dois terços dos alunos entraram correndo, como se a escola fosse o único refúgio seguro no já presente 2012. Ainda assim, muitos alunos não entraram. Eu fiquei do lado de fora.
Gritamos. Agitamos. Fizemos barulho. Teve gente que levou panela, e eles(as) bateram as panelas. Tinha quem só estava ali pelo barulho, tinha quem estava ali atrás dos seus direitos, e tinha quem estava só pra matar aula, estes foram embora logo que o portão se fechou. O pessoal bloqueou a pista. Uma espécie de artéria do bairro. Eu falei que isso ia dar merda, e deu. Chamaram a policia, mas como só o fizeram depois de todos sentarmos na frente da escola, quando eles chegaram a pista já havia sido desocupada. O fato é que eu disse à algumas pessoas que bloquear a pista era burrice, iriamos chamar a atenção, mas a imprensa não chegaria até nós por causa do engarrafamento. É como queimar os móveis salvos pra reclamar dos que perdemos na enchente. Foi ai que Karina e Arthur conseguiram liberar metade da pista, e Karina ficou sinalizando para os motoristas e organizando a bagunça. Karina: Uma Loira De Fluir o Transito. Ai nada de a imprensa chegar. O Balanço Geral simplesmente disse que estaria lá e não esteve. Quando Karina ligou para tentar resolver, disseram que estariam na escola em 40 minutos. Foi quando os ânimos esfriaram e fomos todos sentar na calçada da escola esperando. Foi quando a muvuca havia acabado que alguém decidiu chamar a policia. Os guardas vieram, conversaram com o diretor e com o guarda da escola. Foram embora, nos avisando para não bloquearmos mais a pista. Eu disse, era pra gente ir até a prefeitura. Estavamos exaustos, o sol começava a sair e fazia a manha quente demais. 40 minutinhos demorados, heim? Balança o relógio ai que está com defeito. Decidimos chamar a Tribuna. Eles chegaram tão rápido quanto prometeram. A Tribuna cumpriu com sua palavra. Demos entrevista. Os baderneiros voltaram a fazer bagunça - o real motivo pelo qual alguns ficaram do lado de fora - e logo levaram um calaboca da Karina. Contamos a situação a reporter - super gentil e bem humorada. Ainda mais linda ao vivo, a propósito. - que ouviu pacientemente os alunos dizerem que queriam melhoras, que mereciam melhoras, que quando chove a escola alaga, e o cheiro é insuportável. Que quando faz sol, o cheiro é ainda pior. Que estamos usando as cadeiras das crianças de 3ª série, pequenas e desconfortáveis, sabe Deus por que. Que tem uma sala pequena e abafada - e condenada - que funciona normalmente, mesmo caindo aos pedaços, literalmente, a começar com o teto. Que o esgoto fica empoçado dentro da escola, que ocorrem assaltos no beco ao lado da escola - que também é usado de banheiro pelos moradores de rua -, que a merenda nunca é o que dizem, e que na maioria das vezes é pão com qualquer coisa, quando no calendario entregue pela escola aos alunos deveria ser kibe assado ou bolo. Que o banheiro é uma imundice, e que só de entrar lá já dá medo de pegar hepatite.
Enquanto tudo acontecia ao meu redor eu estava num misto de revolta - por precisarmos organizar um protesto para termos o que deveria ser nosso por direito - e excitação. Foi excitante, mexeu com meus animos. Eu não fazia algo tão ativo desde... Desde... Bem, desde que eu cai do Skate aos 10 anos. Foi bom deixar de ser reflexivo um pouco, e assumir essa postura.
E eu estava em boa companhia. Eu, Bianca, Dayana e Kezia. Corriamos de um lado para o outro, pareciamos perus tontos. Minha história com cada uma é diferente, mas ao fim acabam por se misturar. O fato é que somos amigos. Na correria meus lindos e maravilhosos óculos de sol cairam ao chão e foram pisoteados até a morte. Um minuto de silencio por eles.
O Balanço Geral não foi. Não me pergunte, não sei o por que. Ninguém conseguia o bendito numero da Gazeta para chamá-los também. Uma senhora teve a educação de tentar nos espantar com uma jarra de água, e só conquistou vaias. Vaias que também fizeram-se ouvir - injustamente - na entrevista concedida pelo diretor da escola, que é apenas um peão no tabuleiro de Xadrez das verbas da prefeitura. Se a prefeitura não libera verbas para a reforma prometida - e não cumprida, como tudo que os politicos prometem - da escola, reforma essa pela qual ficamos 15 dias a mais em casa depois das férias, não há mesmo condições de fazer nada. Durante as filmagens eu bocejei, e apareci no jornal do meio dia - Tribuna Noticias Primeira Edição - bocejando em um protesto.
Em certo momento, antes de a imprensa chegar e após os animos esfriarem, Dayana - que estava elétrica - me puxou pra dançar e começou a cantar. Eu me senti no High School Musical. Foi legal.
Nos momentos parados que eu não citei, o assunto foi: BBB, novela, e a Luciana.
Minha manha foi agitada. Minha tarde foi monótona. Minha noite está começando, e promete ser sonolenta.
Tomei a vacina do H1N1. Quando entrei no posto me senti em Grey's Anatomy, só faltaram a pegação nos elevadores e o drama. Tomem a vacina, é importante e não dói. Experiência própria.
Então é isso galera, vejo vocês depois. Até pessoal. o/
