Isso era impossível. Eu estava mesmo perdendo a luta para aquela coisinha insignificante? Eu me esforçava, colocava toda minha força nisso, e ele nem se mexia. “Quer ajuda amor?” perguntou minha esposa. Sim, eu quero, mas obviamente não vou admitir. “Não querida, está tudo sob controle.” respondo. Tudo sob controle? Que tipo de idiota usa essa expressão em um momento tão critico? “Tem certeza?” Sim. Sim, eu tenho. Coloco mais força, meu rosto começando a ficar vermelho. Nada. Isso é culpa de alguém Isso foi planejado por algum engravatado mal-humorado apenas para destruir o dia de um homem. “Certeza absoluta?” Senti uma mão macia e suave em meu ombro. Suspirei. “Vá em frente.” estendi o braço “Se lhe deixa feliz.”. “Obrigada, amor.” Ela respondeu, afastando-me gentilmente para o lado e pegando o pequeno pote sobre a bancada da pia. Um pequeno movimento de mãos e a tampa soltou-se como um adesivo. “Aqui esta.” Ela sorriu. “Eu amaciei para você...” Balanço a cabeça. “Eu sei.” ela sorri e me beija suavemente “meu herói.”
Isso era impossível. Eu estava mesmo perdendo a luta para aquela coisinha insignificante? Eu me esforçava, colocava toda minha força nisso, e ele nem se mexia. “Quer ajuda amor?” perguntou minha esposa. Sim, eu quero, mas obviamente não vou admitir. “Não querida, está tudo sob controle.” respondo. Tudo sob controle? Que tipo de idiota usa essa expressão em um momento tão critico? “Tem certeza?” Sim. Sim, eu tenho. Coloco mais força, meu rosto começando a ficar vermelho. Nada. Isso é culpa de alguém Isso foi planejado por algum engravatado mal-humorado apenas para destruir o dia de um homem. “Certeza absoluta?” Senti uma mão macia e suave em meu ombro. Suspirei. “Vá em frente.” estendi o braço “Se lhe deixa feliz.”. “Obrigada, amor.” Ela respondeu, afastando-me gentilmente para o lado e pegando o pequeno pote sobre a bancada da pia. Um pequeno movimento de mãos e a tampa soltou-se como um adesivo. “Aqui esta.” Ela sorriu. “Eu amaciei para você...” Balanço a cabeça. “Eu sei.” ela sorri e me beija suavemente “meu herói.”
Parecia uma simples e comum tarde de domingo como todas as outras. Era o que todos pensavam. O sol entrando pela janela e atingindo a superfície lisa daquele espelho embaçado que refletia toda a claridade recebida para o resto do cômodo de maneira incomoda. O radio empoeirado tocando uma musica qualquer, estava ligado há dias. Não é como se incomodasse alguém, não é como se alguém se importasse. O som ecoava pelo quarto sujo, penetrando os ouvidos das aranhas em suas frágeis teias tecidas tão trabalhosamente em um ponto que permitia vista total do quarto bagunçado. Baratas caminhando pelo chão, não é como se alguém ali ligasse. Pequenos ratos em suas casas minúsculas nas paredes, não é como se alguém se importasse. Uma cadeira alta e confortável, acolchoada. Um corpo mole, adormecido, talvez? Uma mão dependurada à ponta de seu braço, moscas sobrevoando a pele pálida. Já estavam ali há dias, mas não é como se alguém ligasse. O mal cheiro que saia do quarto incomodaria os moradores, mas não é como se alguém se importasse. Não é como se houvesse alguém para se importar. Pedaços de vidro espalhados pelo chão ao redor da mancha de vinho e do que restou da taça. Não é como se alguém fosse dar falta. Roupas amarrotadas e desarrumadas. Não é como se alguém fosse notar. Olhar vidrado na pequena teia de aranha alguns metros diante de si. Não se movia. Não é como se respirasse. O cadáver frio e mal cheiroso encarando a parede alguns metros adiante. Um cadáver sem nome, sem idade, sem rosto. Não é como se alguém se importasse.
