domingo, 2 de maio de 2010

Epifania

Então eu tinha planos pro domingo. Mas ai eu cancelei, para uma tarde divertida no shopping. Sabe, um sorvete, umas conversas, talvez comprar um pouco... Eu ia sair com uma amiga, iamos ter um dia inteiro de besteiras que ia acabar com a gente assistindo a um filme, se entupindo de pipoca e de refrigerante. Mas então minha amigcancelou o compromisso, a uma e meia da manha de sábado, pelo msn. É, era tarde demais para conseguir outros planos, e também para voltar atrás com os planos antigos. Mas então eu simplesmente fingi que tudo bem, que eu não tinha ficado triste, que eu nem esperava tanto assim nosso dia de diversão e que agora eu teria tempo para por minhas séries em dia - como se eu não fizesse isso todo santo dia. Então eu passei um domingo estranho, meio triste, comendo besteiras que engordam e assistindo Ugly Betty. E ai uma coisa me atingiu: eu estava chateado com a pessoa errada. A culpa disso era minha, totalmente minha. Eu sou esse tipo de pessoa, boa e prestativa, que sempre para tudo para estar disponivel pra todo mundo - até quem não é tão amigo assim. Dessa vez foi uma amiga, mas e nas outras vezes? E nas vezes em que eu só fui visível na hora de dar a resposta da prova, ou de dar a resposta do dever? E nas vezes em que eu ajudei todo mundo, e ninguém moveu um dedo pra me ajudar? E eu comecei a pensar que as unicas pessoas que SEMPRE me ajudam nunca pedem nada em troca. E que todos os outros, que eu estava sempre ajudando, nunca me estenderam a mão. Ai eu tive esse momento de clareza e percebi que eu sou ligeiramente invisível no mundo real e meio timido por que sou bonzinho demais. Ninguém lembra de mim por que eu sou a rotina, eu sou o trancar a porta, o seguro. As pessoas lembram de mim quando precisam, mas dificilmente nos outros momentos. Por que todo mundo lembra de trancar a porta, mas quando você está se divertindo, a ultima coisa que vem em mente é se você trancou a bendita porta. E foi quando eu me vi sentado diante do computador comendo bolo e tendo como ponto alto do meu dia a Betty e o Matt se beijando na tela. E eu percebi que auto-piedade é baboseira, é bobagem. E eu percebi que os conselhos que eu sempre dei pra todo mundo - na vida real e no mundo virtual - agora valiam pra mim. Eu notei que não tenho tantos amigos como imaginava, e também que os que tenho são tão valiosos como eu sempre soube. Foi quando decidi que não ia esperar pra ser legal, popular, alegre. Não ia esperar que isso viesse dos outros. Afinal a vida é minha, não dos outros. E eu vou correr atrás do que eu quero, e tomar a dianteira da minha vida. Decidi começar uma dieta hoje, as 19:00, por que eu venho deixando pra segunda feira há anos. Decidi deixar de ser um cara legal, e deixar as pessoas sentirem minha falta. Vamos ver como todo mundo se sai sem trancar a porta. A partir de agora eu não sou mais o check point de ninguém. Sem cola na prova, sem ajuda nos deveres de sala. Só vou ajudar quem tem me ajudado - e quem realmente se importa: meus amigos. Curiosamente esses são os que nunca pedem ajuda desnecessária, só quando precisam, e não quando estão com preguiça de pensar numa maldita prova com consulta. Sem falar que são os unicos que eu realmente tenho prazer em ajudar. Tomarei 5 pessoas como exemplo: minha MAPS, pra saber ser um bom amigo. O Chandler, pra saber como lidar com as outras pessoas (as que não são minhas amigas). O Gerard Butler, pra saber como eu quero parecer aos 40 (não se engane, quanto mais cedo eu começar, melhor eu vou estar aos 40). Bradley Cooper, pra saber como quero parecer dos 25 aos 30 e poucos. E o Sawyer dos episódios que eu vi de Lost, por que não há nada errado em prestar mais atenção ao meu próprio umbigo.

1 comentários:

Fa disse...

com "Eu notei que não tenho tantos amigos como imaginava," eu quis dizer que percebi que meus verdadeiros amigos são um grupo seleto de pouquíssimas pessoas - as melhores pessoas do mundo. Então queria agradecer ao primeiro nome da lista. Obrigado Luuh, MAPS, ILY <3

domingo, 2 de maio de 2010 às 17:12 |  
Então eu tinha planos pro domingo. Mas ai eu cancelei, para uma tarde divertida no shopping. Sabe, um sorvete, umas conversas, talvez comprar um pouco... Eu ia sair com uma amiga, iamos ter um dia inteiro de besteiras que ia acabar com a gente assistindo a um filme, se entupindo de pipoca e de refrigerante. Mas então minha amigcancelou o compromisso, a uma e meia da manha de sábado, pelo msn. É, era tarde demais para conseguir outros planos, e também para voltar atrás com os planos antigos. Mas então eu simplesmente fingi que tudo bem, que eu não tinha ficado triste, que eu nem esperava tanto assim nosso dia de diversão e que agora eu teria tempo para por minhas séries em dia - como se eu não fizesse isso todo santo dia. Então eu passei um domingo estranho, meio triste, comendo besteiras que engordam e assistindo Ugly Betty. E ai uma coisa me atingiu: eu estava chateado com a pessoa errada. A culpa disso era minha, totalmente minha. Eu sou esse tipo de pessoa, boa e prestativa, que sempre para tudo para estar disponivel pra todo mundo - até quem não é tão amigo assim. Dessa vez foi uma amiga, mas e nas outras vezes? E nas vezes em que eu só fui visível na hora de dar a resposta da prova, ou de dar a resposta do dever? E nas vezes em que eu ajudei todo mundo, e ninguém moveu um dedo pra me ajudar? E eu comecei a pensar que as unicas pessoas que SEMPRE me ajudam nunca pedem nada em troca. E que todos os outros, que eu estava sempre ajudando, nunca me estenderam a mão. Ai eu tive esse momento de clareza e percebi que eu sou ligeiramente invisível no mundo real e meio timido por que sou bonzinho demais. Ninguém lembra de mim por que eu sou a rotina, eu sou o trancar a porta, o seguro. As pessoas lembram de mim quando precisam, mas dificilmente nos outros momentos. Por que todo mundo lembra de trancar a porta, mas quando você está se divertindo, a ultima coisa que vem em mente é se você trancou a bendita porta. E foi quando eu me vi sentado diante do computador comendo bolo e tendo como ponto alto do meu dia a Betty e o Matt se beijando na tela. E eu percebi que auto-piedade é baboseira, é bobagem. E eu percebi que os conselhos que eu sempre dei pra todo mundo - na vida real e no mundo virtual - agora valiam pra mim. Eu notei que não tenho tantos amigos como imaginava, e também que os que tenho são tão valiosos como eu sempre soube. Foi quando decidi que não ia esperar pra ser legal, popular, alegre. Não ia esperar que isso viesse dos outros. Afinal a vida é minha, não dos outros. E eu vou correr atrás do que eu quero, e tomar a dianteira da minha vida. Decidi começar uma dieta hoje, as 19:00, por que eu venho deixando pra segunda feira há anos. Decidi deixar de ser um cara legal, e deixar as pessoas sentirem minha falta. Vamos ver como todo mundo se sai sem trancar a porta. A partir de agora eu não sou mais o check point de ninguém. Sem cola na prova, sem ajuda nos deveres de sala. Só vou ajudar quem tem me ajudado - e quem realmente se importa: meus amigos. Curiosamente esses são os que nunca pedem ajuda desnecessária, só quando precisam, e não quando estão com preguiça de pensar numa maldita prova com consulta. Sem falar que são os unicos que eu realmente tenho prazer em ajudar. Tomarei 5 pessoas como exemplo: minha MAPS, pra saber ser um bom amigo. O Chandler, pra saber como lidar com as outras pessoas (as que não são minhas amigas). O Gerard Butler, pra saber como eu quero parecer aos 40 (não se engane, quanto mais cedo eu começar, melhor eu vou estar aos 40). Bradley Cooper, pra saber como quero parecer dos 25 aos 30 e poucos. E o Sawyer dos episódios que eu vi de Lost, por que não há nada errado em prestar mais atenção ao meu próprio umbigo.
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1 comentários:

Fa disse...

com "Eu notei que não tenho tantos amigos como imaginava," eu quis dizer que percebi que meus verdadeiros amigos são um grupo seleto de pouquíssimas pessoas - as melhores pessoas do mundo. Então queria agradecer ao primeiro nome da lista. Obrigado Luuh, MAPS, ILY <3

2 de maio de 2010 às 18:17