sexta-feira, 14 de maio de 2010

(IN)animado

Parecia uma simples e comum tarde de domingo como todas as outras. Era o que todos pensavam. O sol entrando pela janela e atingindo a superfície lisa daquele espelho embaçado que refletia toda a claridade recebida para o resto do cômodo de maneira incomoda. O radio empoeirado tocando uma musica qualquer, estava ligado há dias. Não é como se incomodasse alguém, não é como se alguém se importasse. O som ecoava pelo quarto sujo, penetrando os ouvidos das aranhas em suas frágeis teias tecidas tão trabalhosamente em um ponto que permitia vista total do quarto bagunçado. Baratas caminhando pelo chão, não é como se alguém ali ligasse. Pequenos ratos em suas casas minúsculas nas paredes, não é como se alguém se importasse. Uma cadeira alta e confortável, acolchoada. Um corpo mole, adormecido, talvez? Uma mão dependurada à ponta de seu braço, moscas sobrevoando a pele pálida. Já estavam ali há dias, mas não é como se alguém ligasse. O mal cheiro que saia do quarto incomodaria os moradores, mas não é como se alguém se importasse. Não é como se houvesse alguém para se importar. Pedaços de vidro espalhados pelo chão ao redor da mancha de vinho e do que restou da taça. Não é como se alguém fosse dar falta. Roupas amarrotadas e desarrumadas. Não é como se alguém fosse notar. Olhar vidrado na pequena teia de aranha alguns metros diante de si. Não se movia. Não é como se respirasse. O cadáver frio e mal cheiroso encarando a parede alguns metros adiante. Um cadáver sem nome, sem idade, sem rosto. Não é como se alguém se importasse.

1 comentários:

Lulu disse...

Fá....tá demais...... fiquei encantada com este texto.....

sexta-feira, 14 de maio de 2010 às 16:15 |  

Parecia uma simples e comum tarde de domingo como todas as outras. Era o que todos pensavam. O sol entrando pela janela e atingindo a superfície lisa daquele espelho embaçado que refletia toda a claridade recebida para o resto do cômodo de maneira incomoda. O radio empoeirado tocando uma musica qualquer, estava ligado há dias. Não é como se incomodasse alguém, não é como se alguém se importasse. O som ecoava pelo quarto sujo, penetrando os ouvidos das aranhas em suas frágeis teias tecidas tão trabalhosamente em um ponto que permitia vista total do quarto bagunçado. Baratas caminhando pelo chão, não é como se alguém ali ligasse. Pequenos ratos em suas casas minúsculas nas paredes, não é como se alguém se importasse. Uma cadeira alta e confortável, acolchoada. Um corpo mole, adormecido, talvez? Uma mão dependurada à ponta de seu braço, moscas sobrevoando a pele pálida. Já estavam ali há dias, mas não é como se alguém ligasse. O mal cheiro que saia do quarto incomodaria os moradores, mas não é como se alguém se importasse. Não é como se houvesse alguém para se importar. Pedaços de vidro espalhados pelo chão ao redor da mancha de vinho e do que restou da taça. Não é como se alguém fosse dar falta. Roupas amarrotadas e desarrumadas. Não é como se alguém fosse notar. Olhar vidrado na pequena teia de aranha alguns metros diante de si. Não se movia. Não é como se respirasse. O cadáver frio e mal cheiroso encarando a parede alguns metros adiante. Um cadáver sem nome, sem idade, sem rosto. Não é como se alguém se importasse.

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Lulu disse...

Fá....tá demais...... fiquei encantada com este texto.....

15 de maio de 2010 às 14:19